Resultado de meses de articulação entre diferentes elos da cadeia produtiva, o projeto Arabica-Canephora publicou, em janeiro de 2026, o seu “Mapa de Caminhos” uma ferramenta estratégica construída de forma colaborativa por 181 representantes do setor, sendo 71% mulheres em posições de liderança. O material tem como objetivo preparar a cafeicultura brasileira para atender às exigências do Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento.
O documento apresenta um diagnóstico detalhado dos principais desafios enfrentados pelo setor, destacando gargalos como a informalidade nas relações de trabalho, condições inadequadas em períodos de safra e a baixa integração de critérios sociais em sistemas de rastreabilidade. A partir dessa análise, o Mapa propõe soluções práticas voltadas à adequação das cadeias produtivas, com atenção especial à inclusão de pequenos e médios produtores no acesso a mercados internacionais.
Embora a cafeicultura brasileira, de modo geral, já atenda à exigência de desmatamento zero estabelecida a partir de dezembro de 2020, o regulamento europeu impõe novos prazos para conformidade. Grandes empresas têm até 30 de dezembro de 2026 para se adequar integralmente, enquanto micro e pequenas empresas contam com prazo até 30 de junho de 2027.
A construção do Mapa de Caminhos envolveu uma ampla diversidade de atores, incluindo produtoras e cooperativas, indústrias, exportadoras, entidades setoriais e sindicais, além de representantes de governos, empresas públicas, organizações de assistência técnica e extensão rural, iniciativas de rastreabilidade e certificação, bem como entidades de apoio e agências socioambientais. O processo reforça a importância da governança coletiva para enfrentar desafios regulatórios de escala global.